Marcas de Vinhos: a História por Trás do Rótulo

Ago 30, 2019 | packaging

Marcas de Vinhos: a História por Trás do Rótulo

A Simbiose necessária entre Marca e o design 

 

Concretizar a visão de um cliente numa comunicação visual que seja do seu agrado é um desafio. Porém, esta situação é comum a qualquer designer, algo rotineiro ao longo de sua carreira. O bom design é aquele que traz, em si, o que o cliente quer juntamente com o que o produto precisa, de forma aprazível e funcional. 

Cria-se métodos de colaboração e cooperação de modo que o trabalho seja fluído e simplificado. E é importante o desenvolvimento da comunicação clara entre designer e o cliente para o equilíbrio da relação profissional. 

Aliás, é a comunicação que está, realmente, no centro de tudo. O cliente comunica a sua ideia e a história do seu vinho e o designer encontra formas de aplicar tudo isso no rótulo. É importante que esse trabalho responda as questões relacionada ao vinho e desperte o desejo de compra do consumidor. 

 

Tyto Alba – Design e Ecologia

A Companhia das Lezírias é das explorações agro-pecuárias de maior dimensão em Portugal e foi fundada em 1836. 

Assumiu vários negócios associados a esta área de trabalho e uma responsabilidade educativa e de conservação do ambiente. Desta forma, colabora frequentemente com universidades e outras iniciativas de estudo e conservação da fauna e flora portuguesas.

 

Um desses vários projetos que acolheu chama-se TytoTagus. Projeto de estudo e conservação da Coruja das Torres, cuja população estava em declínio. Houve grande esforço para analisar o comportamento destas aves e prestar o apoio necessário à sua proliferação. E também se desenvolveu uma relação simbiótica entre estas majestosas aves noturnas e a Companhia das Lezírias. A Companhia acolhe e protege as corujas em retorno, elas protegem as suas vinhas de pragas de uma forma sustentável e ambientalmente sã. 

Esta foi a história que escolhemos contar, tanto na comunicação visual como com o nome atribuído ao vinho: Tyto Alba.

Para a imagem estilizada e misteriosa deste vinho, à semelhança da própria Coruja das Torres. Baseamo-nos na característica marcante destas aves, a moldura do seu rosto e os seus contrastes de dourado e branco.

A caixa de madeira onde os vinhos são transportados é inspirada nas caixas-ninho usadas no projeto de conservação. Pode ser atribuída a estas embalagens, mesmo proposito que servil de inspiração no final de sua vida útil.

Desta forma, há a simbiose entre a Companhia das Lezírias, as suas vinhas e a coruja das torres. Ligação também presente na comunicação visual e packaging do vinho Tyto Alba.

 

Maquia – packaging design que conecta

Álvaro Martinho, nascido e criado em Covas do Douro, desde muito cedo que se embrenhou em todo o universo vinícola. Em 1997 integrou uma equipa de agrónomos. Tinha a responsabilidade de modernizar e tornar profissional a viticultura numa das mais emblemáticas empresas do sector – A Real Companhia Velha.  

É na Cumieira que possui o seu património vitícola, constituído maioritariamente por vinhas velhas mas com localização excelente.

Maquia é o nome de um dos seus vinhos, palavra esta que significa lucro ou remuneração. De produção muito limitada, reflecte com rigor o carácter único deste terroir. Vinho que transborda suavidade e elegância, que só poderia vir de uma das mais antigas e afamadas vinhas do Douro.

Uma vida inteira dedicada de corpo e alma ao vinho, elevando-o às suas próprias custas. 

Para um vinho tão genuíno e sumptuoso, o rótulo teria de comunicar visualmente essa relação tão única e próxima, tanto da pessoa como da natureza.

Foi utilizada a textura da folha da videira no papel do rótulo para reforçar a ligação do vinho à sua natureza, origens e à sua história. Comunicação visual sóbria, com tipografia com reflexos metálicos avermelhados para dá intensidade as palavras inscritas.

 

Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico

A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico é formada por 250 produtores de vinho que têm as suas produções nos Açores onde está a montanha mais alta de Portugal. Esta união contribuiu para que as vinhas do Lajido conquistassem novamente um lugar de prestígio no meio.

O terroir destes vinhos é bastante distinto, por estar tão perto do mar e ao mesmo tempo protegidos do salgado vento do Atlântico nas encostas de um vulcão. Usufrui de propriedades únicas do solo vulcânico e da pouca exposição solar, causadas pelas nuvens que se formam à volta da montanha de que beneficiam neste local.

Com este rótulo quisemos reacender o orgulho de terem forjado uma marca de vinhos única que carrega consigo toda uma tradição. Além do reconhecimento desta ilha que é considerada Património da Humanidade pela Unesco.

Traduzimos esse orgulho sob a ilustração da imponente montanha que dá o nome à ilha com as nuvens ao seu redor, e comunicar visualmente a origem do vinho. Na maioria das garrafas foram usados acentos vermelhos no texto, na moldura do rótulo e gargantilha. Já na garrafa D.O. Pico de 10 anos foi trabalhada a tipografia a branco diretamente sobre o vidro escuro e quase opaco da garrafa, próprio dos vinhos licorosos.

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